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Fernando Andrade – escritor e jornalista
Livro de poemas, Bens Infungíveis, transita entre a dor figurada – a que sublima, e os resíduos da dor física.
Trabalho não é sacrifício, mas para um fanático, ele o trabalho, pode ser uma dor de dente. Os bens que você adquire, fazem parte do seu conforto, seu bem estar. Mas e as dores residuais, as que sobram, para a elevação do espírito como sábio, que se purifica pela latência dela. O humor equilibra sabiamente estas dores que insistem em sobrar. Deveria não se chamar humor negro, mas humor cinza, ranzinza, aquele que quanto mais late mais morde. Este livro que devorei em uma madrugada, não de quarta feira de cinzas, me deixou com as pegadas leves ou assinaturas digitais, sobre escolha, identidades, solidão. Valeria Paz esta poeta que escreve como uma linguista de puxada, de fisgada, revolve as bases neste livro Bens Infungíveis, editora Litteralux, para deixar o leitor mais altruísta com o sofrimento, a agonia, pois todos temos órgãos, que doem, que cantam, que puxam a vida para o livre arbítrio. Doer ou não doer é a questão.
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