![]()
Jornalista, escritor e crítico de literatura.
A paródia é um gênio dentro da garrafa da narrativa, que alguns escritores soltam para bagunçar certezas autorais que muitos dos escribas postulam até mandamentos para escrever. Ela seria um texto à parte grudado no texto sério para minimizar uma certa convicção tanto de personagens quanto enredo. No livro O cio da Salamandra não seduz camaleões, editora Penalux, há uma dupla hélice de observação sobre o próprio fazer o romance.
Que tanto a vida quanto o ato da escrita seria um forma de se desgarrar de métodos rígidos de conduta. Uma certa ideologia libertária em não ter ou assumir responsabilidades perante a vida contratual. Ser um espírito livre conforme é mencionado em certa parte do livro. Zero, personagem do escritor Edmilson Felipe é um errante que goza da carnalidade da vida sendo um ioiô ao sabor do movimento da existência, assume empregos como motorista, é poeta com versos lambidos de humor e auto- zombeteira-observação.
Mas ao detalhar também o título em posição de acasalamento, percebemos animais que possuem certa ambiguidades de ser. A salamandra um anfíbio que tanto habita a água como a terra, um ser que aspira uma dualidade de estados. E o camaleão que troca sua cor para se adaptar ao ambiente. Quem? seria mais dual em sua carnadura passagem pela terra. Edmilson toca num ponto interessante de que o sexo e o corpo podem ser livres de mapeamentos do lacre da existência, partindo para uma espécie de Lá nave vá ao sabor das ondas e do vento. Aqui a imperícia do corpo não teria como se adequar a formas civis de relacionar como um casamento, a responsabilidade da procriação.
![]()
Cotação: ótimo
![]()
Amei a leitura. Simples assim. Despertou um desejo de liberdade .