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Ana cria corvos
Sim ao soprar um balão e enchê-lo de ar. Ana estava não só brincando, como criando arte.
Estava ela conteúdo politizando um espaço. Na sua ingênua brincadeira de fazer uma bexiga criar vida transformando-a num balão que poderia alçar voos, se a sua imaginação, assim, o quisesse.
Ana mora num albergue com, apenas, seu avô, e uma cozinheira. Passa a maior parte do dia caçando eventos buliçosos para lhe apetecer a mente e o desejo de não se prostrar.
Ela não lê. Tem horror à leitura. Acha uma abominação perder tempo com fantasias desmedidas num livro que não cria potencialidades.
Sua delicadeza está em ativar sua própria ação em prol de adventos holísticos. Como agora há pouco que foi flagrada soprando uma bexiga até a ponto da dita cuja ficar cheia de ar.
Ela iria à escola, se não fosse a escola um asilo de loucos.
Uma casa de repouso onde os homens e mulheres discutem ou se confrontam em pedigrees pedagógicos. Sim, ela tem horror à definições escolares. Esta criança está bem nutrida? Que criança prodígio você tem!
Ana prefere o surto de uma linha (qualquer). Uma coisa criada e depois extinguida não por sua vontade, mas sim, porque a resistência desta coisa foi pelos ares.
Ana diz para sua cozinheira que a arte é uma frigideira. Tem que afligir. E que o colégio é uma geladeira, congela crises.
Relações térmicas.
Ela agora busca um pouco antes do almoço seu aquário H20.
Não poder injetar o espírito em coisas misturadas; tentar não diluir o que é composto. A estranha simetria que vê quando um médico tentar encher a cavidade de um moribundo de ar, devolver-lhe algo que lhe foi tomado, pensa nos peixinhos que habitam seu aquário
H20.
Fernando Andrade, 50 anos, é jornalista, poeta, e crítico de literatura. Faz parte do Coletivo de Arte Caneta Lente e Pincel. Participa também do coletivo Clube de leitura onde tem dois contos em coletâneas: Quadris no volume 3 e Canteiro no volume 4 do Clube da leitura. Colaborador no Portal Ambrosia realizando entrevistas com escritores e escrevendo resenhas de livros. Tem dois livros de poesia pela editora Oito e Meio, Lacan Por Câmeras Cinematográficas e Poemoemetria , e Enclave ( poemas) pela Editora Patuá. Seu poema “A cidade é um corpo” participou da exposição Poesia agora em Salvador e no Rio de Janeiro. lançou nesta ano o seu quarto livro de poemas, a perpetuação da espécie pela Editora Penalux.
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