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Fernando Andrade | escritor e jornalista
A política não seria a arte de jogar contra rumos ou projetos equivocados ou incertos. Não seria um concerto, por isso nada se resolve na erradicação do erro. Seria uma arte ambivalente, onde o passo pode ser certo ou desarrumado de direção. Esta maneira de perceber que política infiltra na ficção não para modificá-la, mas para alertar com informes estéticos para conduzir o leitor do desassossego das lacunas do feito. Nunca tinha visto a política entrar tanto num livro como este, Chineses que se evaporam, pela editora 7letras, autor, João Inácio Padilha. Desde ver uma nuca como um objeto de arte, olhar é uma arte política, até o estudo sócio-paródico de um povo como o chinês. João escreve nos detalhes, no pormenor da possibilidade do humor sutil, rascunha em certos contos como um personagem querendo entrar nos Estados Unidos, uma certa sátira ao bolsonarismo. São contos formidáveis, prazerosos de ler e contar aos amigos, ou quem sabe emprestá-los aos escritores leitores.
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