![]()
Fernando Andrade – escritor e jornalista
Lembro de ter visto no cinema a Viagem do Capitão tornado um trupe de teatro encenando comédia de arte em 1800 e poucos. Um grupo de atores circenses indo à Paris para improvisar. Cada um confundia sua vida com seu papel, nos palcos. Eram cirandas que um gostava do outro que gostavam de outrem. Me lembrei deste filme ao ler o novo romance do Jorge Sá Earp, ‘A volta do Arlequim’ pela editora 7letras. O escritor é hábil sempre, em ter os personagens como atores sociais, onde a persona política, nem sempre cabe na individualidade do coração. O personagem narrador é casado com Valentina, parece feliz com a união estável, mas algo dentro de suas pulsões emocionais, o puxa para a atração por homens. A Comédia parece um gênero definido pelo riso, mas há muito de um engano, onde a melancolia, a tristeza, faz aflorar as cenas mais risíveis. O Arlequim é aquele que pinta seu rosto para parecer ser alegre, em conformidade com seus desejos. Mas nos palcos da vida na hora que a máscara se dissolve em lágrimas, os desejos retornam com fúria e desespero.
Be the first to comment