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Fernando Andrade | escritor e jornalista
A boca saliva quando o poema cai dentro. Da boca para fora não é nada ladainha, é linha solta tão lírica e livre quanto uma pipa. O céu da boca tem a garganta declamada de Félix Alberto Lima no seu livro “álbum sonoro”, Com o coração na boca, editora 7 letras. São poemas que seguem uma trilha onde a boca multiplica suas significações e semânticas. A linguagem é afiada com uma língua solta, e desavergonhada. O poeta trabalha a carpintaria poética de cada verso, com recursos estilísticos, bem acima do TOP. Sexualidade, política, temas atravessam o paladar do gozo do autor. A polissemia deixa a palavra com freio de mão solto, há danças, volteios, deslizes, lapsos, com a linguagem sempre em mudanças tectônicas. Para cada verso a boca se desinforma em outra fôrma, outra moda, de versar. É um livro para releituras..
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