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Fernando Andrade | escritor e jornalista
Ter a pia, a pia batismal, onde se coloca os dedos, tanto do piano quanto dos gestos do amor, não, ou se correspondido. Mas pra poema não se lava as mãos, é preciso que elas sejam impuras, verdadeiramente. Levar a boca… os dedos gulosos onde os poemas nem tanto biográficos, embora, gestual, atual, de uma modernidade não líquida, pictórica, histórica, onde a citação não vem entre aspas. Colagem pós-colonial, a mulher morando sozinha, revisita a sala de espera dos casamentos, que findaram num fim de semana de inverno. Fabiana nos bota na vitrola para tocar-nos com sulcos do vinil, do infinito enquanto dure. Este livro, Dedos, merece uma reprise quando findar a última linha, quando o trem apitar não pare, escute, e volte de novo a faixa 1. A edição da editora Mondru está graficamente estonteante. Volte antes e leia depois de terminar esta fissura opa leitura, e compre no lançamento da autora; seu livro.
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