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Texto de Fauno Mendonça
Que a literatura desvenda a vida todos sabemos, pois isso é lógico e plausível, mas a literatura não se resume a essa desnudez racional de paradigmas linguísticos e de critérios léxicos, visto que, em verdade, se trata de um grande jogo de encontros e desencontros de sentidos e sentimentos.
Fernando Andrade sabe desses meandros e embaralha sua ironia sutilmente em cada oração posta no texto, ao saltar de um tempo a outro para enaltecer as próprias percepções com o firme intento de buscar desideratos perdidos e escondidos de um mundo que se apresenta normal demais, apesar de não de nunca sê-lo.
Não tenho dúvida, sua literatura não caminha no espaço do convencional, aponta para o além para buscar seu verdadeiro rumo, tornando-se, por óbvio, única e as coisas únicas devem ser preservadas e guardadas para quebrar os dogmas desse mundo louco que sempre teme as autenticidades.
Andrade não escreve para qualquer um, mas para aqueles que não receiam caminhar pelo vale da verdade com suas curvas sinuosas que, por vezes, turvam as visões dos incautos, mas encantam os ávidos pela compreensão da realidade ao seu redor.
No Livro “Obras são Fonemas” sua escrita norteia linhas rebeldes, mas reais, porquanto, comumente, a verdade emerge do devaneio e pulsa de um lado para outro sem se preocupar com o tempo nem com os padrões impostos.
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