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Kalpna Singh-Chitnis é uma premiada poeta e cineasta indiana que mora nos Estados Unidos. Ela é autora de quatro livros de poesia, e suas obras apareceram em jornais notáveis como World Literature Today, California Quarterly, Indian Literature, Pirene’s Fountain. Kalpana também é fundadora da revista literária Life and Legends.
Shelly Bhoil é uma escritora e tradutora indiana, residente em São Paulo, Brasil.
A Selva (I)
A selva cumprimenta o século: o ano novo.
os séculos cumprimentam milênios,
os milênios cumprimentam a eternidade,
e a eternidade cumprimenta a sacralidade em nós.
Vamos nos levantar em gratidão,
e desabrochar como flores silvestres
abrir para o cerne
e perfumar a selva.
A Selva (II)
Vamos nos desnudar e aproveitar a beleza da selva.
Vamos jogar fora nossas cobertas, já estamos fartos delas.
Na selva, na há necessidade de fingir
vamos apenas ser, quem quer que seja.
Vamos ser os leões, águias, lobos, hienas,
cervos, pombas, divindades, ou serpentes se é isso que somos.
Ou vamos ser as árvores, colinas, rochas, dunas
ou folhas caídas em uma trilha sinuosa.
Vamos comemorar nossa sede procurando por um riacho
Brilharemos em nossa pele, na escuridão e na luz,
Vamos cintilar quando o sol brinca de esconde-esconde
vamos nos desnudar e manter a sacralidade da selva.
Vamos descobrir agora nossa beleza interior e selvagem.
A Selva (III)
A selva tem grutas, mas nenhuma gaiola.
Ela tem liberdade desacorrentada, para todos.
A selva não tem regras além de uma,
não ter regras, mas disciplinas.
A selva tem uma linguagem,
apenas para ser ouvida nos silêncios
e seu significado a ser descoberto
na explosão de nossa alegria.
A Selva (IV)
Cada nascimento na selva é uma comemoração,
não há morte na selva a ser lamentada.
A selva respira vida em todos os falecidos,
na selva todos ressuscitam,
Cada lágrima é contada e se torna
uma oferta ao rio da eternidade.
The Jungle (I)
The jungle greets century a new year,
centuries greet millenniums,
millenniums greet eternity,
and eternity greets the sacredness in us.
Let’s rise in gratitude,
and blossom like wildflowers
open to the core,
and perfume the jungle.
Jungle (II)
Let’s bare ourselves and bask in the beauty of the jungle.
Let’s throw away our covers, we’ve had enough of them.
In the jungle, there is no need to pretend,
let’s just be, whoever we are.
Let’s be the lions, eagles, wolves, hyenas,
deer, doves, deities, or serpents if that’s what we are.
Or let’s be the trees, hills, rocks, dunes,
or fallen leaves on a winding trail.
Let’s celebrate our thirst searching for a stream
let’s glow in our skin, in the darkness and light,
let’s dazzle, when the sun plays hide and seek
let’s bare our souls, and keep the sacredness of the jungle.
Let’s discover now our wild inner beauty.
The Jungle (III)
The jungle has caves, but no cages.
It has a freedom unchained, for everyone.
The jungle has no rules but one,
to have no rules, but disciplines.
The jungle has one language,
only to be heard in the silences
and its meaning to be discovered
in the outburst of our joy.
The Jungle (IV)
Every birth in the jungle is a celebration,
there is no death in the jungle ever to be ever mourned.
The jungle breathes life in all deceased,
in the jungle everyone resurrects,
every tear is counted and becomes
an offering to the river of eternity.
Belos poemas de Kalpna Singh-Chitnis. Uma autora indiana que possui a sensibilidade integrada ao espírito da natureza. E nós brasileiros compreendemos bem o que é esta virtude. A tradução de Shelly Bhoil é perfeita, exata, igualmente sensível, mantém o frescor genuíno do original. Shelly Bhoil já demonstra o domínio da língua portuguesa. Grato por compartilhar e apresentar uma poetisa que eu ainda não conhecia.