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por Fernando Andrade | escritor e crítico de literatura
O que quer o homem? comer, caçar, encher a cara. Ser ele mesmo andando e jogando bolas a esmo. Mas me pergunto se o bicho homem fica deprimido? Com tanta vontade de poder, podis crê. Bicho homem vai da animalidade política, tecendo os fascismos micro-cotidianos, até uma forma de purificar-se na religião através do *diz com quem anda e direis quem és. Dízimo
Mas como cair na tentação de louvar a masculinidade sem mostrar os contras ou as bolas fora de certo machismo travesso? André Giusti consegue isso em poemas discursivos, em mistura de ficção e poética, na qual sua poesia atravessa certa geração beat, aqui tanto dos norte-americanos quanto da batida sincopada de um blues-jazz.
O mais interessante de André é não cair no maniqueísmo da verve de homem, ele enquadra pela janela ou lente de seus filmes, uma ótica masculina sem cair no chauvinismo. O gozo, o tesão, e o desejo não caem na armadilha da comiseração, pura e simples, nem na agressividade do narcisista-espelho.
A linguagem, me atrevo a dizer, beira certo delírio com as giras ou gírias do cotidiano. Uma canção, uma letra, uma certa lembrança fazem dos poemas, um certo adereço de vinil rodando na tarde etílica de um encontro a dois.
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