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por Fernando Andrade | escritor e crítico de literatura
O resíduo da língua seria a saliva? A fome precisa do nome para o alimento. Não gaste saliva rapaz, não exagere na língua. Não fale demais. Mas e o poema tem algum resíduo? Descartamos o quê quando escrevemos um?
No livro Kairós do poeta Vladimir Queiroz, pela editora Penalux, o grão, esta medida já pequena, pode ser farelo, ou pó, de uma densidade sobre a ínfima parte de uma estética do uso menor, do que escapa por entre os dentes\dedos, quando deglutimos palavras, a voz. São espaços vazios ou ocupados por entre as coisas, matérias do lugar sem posse.
O poeta com uma linguagem muito veloz e alusiva reutiliza toda menor parcimônia do poema. Como o desvão que não tem luz, mas serve de moita para o rato se camuflar na iminência de algum perigo. O efeito aqui no livro do poeta não é maniqueísta, destroços, não são pequenos pedaços de coisas a se jogar fora. A poesia necessita de suas ruínas, para não erigir elementos belos de exposição. O pó que deixamos por entre as sílabas pode ser uma composição para uma nova simetria entre ordem e caos.
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