Fernando Andrade entrevista o escritor Leonardo Bachiega sobre o livro ‘Vincos tecidos no ar’

Leonardo Bachiega Vincos tecidos no ar - Fernando Andrade entrevista o escritor Leonardo Bachiega sobre o livro 'Vincos tecidos no ar'
 
 
 
 
 

Fernando Andrade – a voz interior não seria do personagem narrador, há algo na terceira pessoa nesta voz que alcança o personagem. O que seria ela, comente.

Leonardo Bachiega – Então, Fernando, o livro trata-se de um autoficção, tudo surgiu naquele momento de caos do começo do livro, havia vozes mentais e vozes vindas do ar. Na psiquiatria é levado para o lado da esquizofrênica, os espiritualistas levam para o lado da mediunidade, eu prefiro que cada um tire sua própria conclusão, quem sabe um pouco de cada, junto com uma voz interior. Nesse romance, eu trato principalmente das vozes aéreas, terão outros livros onde eu tratarei dessa experiência, porém com outras abordagens e trabalhando as demais sensações. Serão vários livros ou histórias sobre a psique. Meu livro anterior Cassiopeia, também entro nesse tema, mas o personagem sofre de depressão, algo que nunca tive.

Fernando Andrade – Sua linguagem no romance parece além de poética, dissociada, há efeitos de estranhamento na fala dele. Explique a linguagem do seu personagem.

Leonardo Bachiega – Eu entendi que o romance necessitava de diferentes momentos, porque assim foram diversos os momentos pelo qual passei nesse período de anos. Há o amor, há o caos, há o delírio, o trabalho, o sofrimento, várias outras coisas, e por vezes se faz necessário até pontos de ruptura para mostrar certa sensação. Para mim, a linguagem do personagem deve referir-se à sensação de cada momento.

Fernando Andrade – Fernando Pessoa é muito usado por você na construção do enredo, Como ele se encaixa no perfil do personagem.

Leonardo Bachiega – Num certo momento do caos, quando eu peguei o livro do Fernando Pessoa (Alberto Caeiro), minha interpretação foi pontual para aquela situação. Talvez, Fernando Pessoa vá além do gênio, é uma hipótese, além da matéria ele está, eu o considero o Pessoa uma figura bem enigmática. Mas o que é muito importante é que a sua obra reacendeu a chama da literatura que estava apagada dentro de mim, porque vem a vida adulta e vem as preocupações, as atribulações, as responsabilidades, a vida fica mais corrida e aquele adolescente que gostava de ler se perde no tempo, nesse caso foi um reencontro.

Fernando Andrade – Você usa muito bem as referências estéticas para preencher o gosto do Rafa. Como desenvolveu elas dentro do romance.

Leonardo Bachiega – Muitas delas foram referências que busquei naquele momento de angústia e sofrimento, outras chegaram depois, em ambos os momentos houve até o acaso, a literatura fica mais bonita assim, quando ela te toca ao acaso, a surpresa é um presente que se encaixa perfeitamente às sensações e à espera de quem busca o melhor da literatura. Tudo se torna simples quando o autor é a própria matéria-prima da história.

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