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Fernando Andrade | escritor e jornalista
Um breve dia, o poema perdia. O poema despediria, diria, este ano começa a pandemia. Sair na rua, o poema cantaria, só com máscara por favor. O editor faz canções, o músico edita livros. E nesta toada ainda leio os vivos. Como agora nesta tarde de quinta, faço um sambinha com caixa de fósforo, prestando homenagem ao livro que leio, Sobre a impermanência do sol, Markus Viny, editora Litteralux. Poemas podem ser círculos sonoros, petardos musicais, misturando o regional com a metrópole. O medo do contato, a palavra presa na garganta, o autor faz do gesto poético, uma barreira anti-bomba, anti-tombo. Do sertão palavras, cantigas, versos, restingas, a morte caatinga. Secura, secura, Se cura desta covid, poemas fazem milagres, são milágrimas, para seu pai sua mãe, Markus faz da palavra rito de purificação, sua linguagem alcança alturas líricas, físicas, onde o poema se deita embaixo do sol.
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