Peça meio do céu, desafina fronteiras e espaços de convívio numa Londres tão aérea quanto férrea

Ubiratan Muarrek 2025 - Peça meio do céu, desafina fronteiras e espaços de convívio numa Londres tão aérea quanto férrea

 
 
 

Fernando Andrade | escritor e jornalista

Como num jogo de xadrez onde peças brancas dialogam, ou combatem com peças pretas, abrindo espaços ou não de convivência, num tabuleiro chamado Londres, onde espaços geográficos são delimitados por xenofobia e preconceitos. A peça, meio do céu, do dramaturgo, Ubiratan Muarrek, mantém na sua estrutura dialógica, uma tensão permanente, sobre o encontro sob o céu de Londres de Sofitel ( Negra) e Greta (Branca) cuja filha se chama Maria Vitória. Embaixo de um encenação cotidiana onde aviões passam acima da cabeça das personagens, Sofitel acabou de chegar de Recife, e Greta, bole com ela sobre os horários de chegadas. O autor faz do verbo de Greta uma forma de acinte com quem vem de um país sul-americano. Discussões sobre se o avião Concorde caiu ou não, parecem um luta cujo ringue não tem vencedores,o não parece estéril achar que com uma rota aérea de aviões em londres não vá acontecer desastres aéreos. Sofitel tenta ser empática com a outra, mas só leva desaforo. Marie, outra personagem que depois do espaço cênico muda para um apartamento, mantém uma relação de confronto também com Greta, que diz que o pai chegará em breve para visitá-la. São estruturas dicotômicas de tanto temperamentos, como de alteridades. O outro espaço fora da fronteira eurocêntrica, parece ruir como espaços do cível e da convivência.

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