Fernando Andrade entrevista o poeta Paulo Fraga-Queiroz sobre o livro ‘Pássaros de giz’

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Fernando Andrade. Há uma suavidade nos seus poemas que reflete nas suas entrelinhas uma reflexão risonha, como uma brincadeira séria. Leveza seria a palavra certa. Não é o efeito cômico, mas de certa graça, riso. Comente.

Paulo Fraga-Queiroz. Busco uma linguagem poética que elabore o instantâneo, tanto no sentido daquele instante quanto a de um fotograma, como a tentar congelar o tempo, fazer um quadro, um retrato da vida. Acredito na capacidade da poesia de do nada de repente produzir beleza ou graça. Entendendo que a beleza pode ser triste ou mesmo estranha a um primeiro olhar, da mesma forma que o riso mora perto do pranto.

Fernando Andrade. Na segunda parte que dá título ao livro, seus poemas ficam mais referenciais, brindado poeticamente a certos poetas do seu afeto. Alguma coisa de meta-poema aparece de vez em quando. Fale mais disso.

Paulo Fraga-Queiroz. Alguém já disse que tanto melhor o texto quanto melhor o leitor. Se por um lado um texto poético pode trazer nuances e referências pessoais, diletas, de influências ao autor, e elas se manifestarem diante da leitura, também há ali no fazer poético o fato de que o leitor com sua bagagem e referências próprias também atua para finalizar o texto, para acrescentar outros sentidos a ele. Nesta segunda parte do livro, procuro exatamente dialogar com poetas e poéticas que leio a vida inteira que forma que entre tantas vozes, eu possa também a minha própria voz, minha maneira pessoal de contar as coisas.

Fernando Andrade. A linguagem busca a musicalidade, a relação sonora entre significado e som se casa harmoniosamente. Como fez este processo estético de escrita. Comente.

Paulo Fraga-Queiroz. Minha poesia oscila entre o aspecto visual que evoca e se referencia na pintura, na fotografia, como também dialoga com a música. Embora este livro tenha textos estruturalmente de poesia e não de letra de música – coisa que também tenho desenvolvido – dois poemas foram musicados. O primeiro Luz de Iracema antes mesmo da publicação. O segundo, um soneto, única poema mais formal do livro, exatamente no lançamento feito em Fortaleza, em 10 de junho.

Fernando Andrade. Há em seus últimos poemas brincadeiras com duplo sentido como o poema não se precipite…. Você gosta de tornar o seu trabalho o mais lúdico possível. Comente.

Paulo Fraga-Queiroz. Parte do procuro produzir vem de forte influência dos concretos, da poesia marginal e o que nasce deste caldeirão de que junta Leminski, José Paulo Paes, Régis Bonvicino, Drummond, Gullar, Adélia, Cecília, Orides, Francisco Alvim, Bashô, Safo, Aretino, Kaváfis e tantos outros. Diante disso, a terceira parte do livro é um livre exercício de poéticas que se pretendem mesmo lúdicas.

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